quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Partida de Lorena


Visita inesperada no jardim
fez do trabalho a fuga
sensação de medo, um tremor
que é isso, filme de terror?
Lorena cavava firme
a pá que revolvia a terra
revoltou as abelhas
exalando as flores não o cheiro
senão o barulho
a tormenta
revoar certeiro daquele enxame
não reclame!
É primavera, explosão
alegria, procriação
e há mais flores
quanto mais abelhas.

Bruno Brum Paiva

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Chegada de Lorena


Lorena cavava firme. Aquela pá lembrava um ventilador nas tardes de primavera. A tormenta vinha qual uma manada em fuga. Sensação estranha a lhe descer às costas no tremor de uma decisão: que fazer com as abelhas do galpão? Aquela pá, aquela pá bem lembrava um ventilador.

Bruno Brum Paiva

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MARGS

Visitar o MARGS é sempre um bom motivo. Raríssimas vezes saí de lá insatisfeito. Mesmo as bienais, que desta vez, aliás, foi bem fraquinha, tiveram no MARGS seu ponto forte. O lugar sabe querer bem quem ama a arte e se vê através dela. E agora não poderia ser diferente. Maria Tomaselli parece que tomou conta, que preencheu todos os espaços, que deu luz, cor, vida, harmonia à ideia primária de Ado Malagoli. Até 14 de fevereiro do ano que se avizinha. Lá está, acessível a todos, gratuito a todos, aberto a todos, convidando a todos para mergulhar e compartilhar o universo dessa grande artista.
Feliz MARGS 2010!
Bruno Brum Paiva

sábado, 28 de novembro de 2009

Arco da Vida




O crepúsculo
(não raro)
abocanha
o sonho.

Bruno Brum Paiva

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

C I R C U I T O


Do universo nada

d
e
s
p
e
n
c
a

t r a f e g a .



Bruno Brum Paiva

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Lume







Ficará marcado aqui por vinte e quatro horas. Reino absoluto. É uma singela lembrança (garanto que poucos espaços públicos farão uma homenagem com a merecida relevância). O maior, o lume da música brasileira de raiz profunda: Heitor Villa-Lobos, que há exatos 50 anos pegou o último trem para o infinito.









Bruno Brum Paiva

sábado, 7 de novembro de 2009

DESAVISADO

Marujo nunca foi gremista
Tampouco colorado
Convidado
Foi ver que bicho era aquele
Gigante
Na beira do rio.
Inocente
Começou a andar de costas
Para não olhar para a frente

Susto pelo beijo seco, áspero
Aquela pedra marcou sua bunda de lata
Ingrata!
Nada falou porque desconhece o gemido
Só anda e para
Acende e apaga
Parte e repousa
Vai onde vamos
Fica onde o deixamos.


Bruno Brum Paiva