quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Marujo Entre Dois Portos


A prometida viagem demorou, mas demora nunca foi desistência na vida de Nosotros. O labirinto entre dois portos seria a marca inaugural do Marujo numa longa estrada. E lá se foi, solenemente guiado até as pedras que salientam a beleza de Torres. Pernoite no último ponto do Rio Grande. A ponte sobre o rio Mampituba é menos um divisor de águas que de dois estados sulinos. A BR-101, expremida entre a serra do mar e o grande oceano, ora se duplica e ora se afunila dando um ritmo fluente ou congestionado à primária trajetória não por acaso entre dois portos. Chegamos em Canto Grande ao entardecer sem lua prometida e ainda com Sol dourando os morros e trapiches. Marujo gemeu à exigência das subidas esburacadas e de ângulos fortes até a praia de Tainhas, um leque de areia de poucos metros a beijar o mar. Muito Sol, alguma chuva, nenhum vento. Por enseadas e ilhas andou, e o retorno teria sido quase traumático em sua lentidão se não tivéssemos a beleza como aliada. A parada em Laguna, a costura pelo sítio histórico ao descer o morro da Glória para molhar a garganta na fonte da Carioca, água fonte que temperou o mate horas mais tarde entre um banho de mar e a degustação de um milho verde em Torres. Doce vespertina chegada pelo Guaíba ao Parque Gigante para o mergulho em outra água, agora um pouco mais sintética em sua proposta de equilíbrio natural. E o ciclo de 1150 km entre os portos foi concluído em cinco dias. Porto Alegre e Porto Belo, duas cidades fundidas na alegre beleza de suas águas, águas que mataram a sede do desejo de abatumar a poeira das estradas onde livremente transitou Marujo.
Bruno Brum Paiva

sábado, 18 de dezembro de 2010

Diário de Bordo




Tanto tempo segredado para ao cair na rede ser anunciado: hoje faz um ano do oficial enlace de Nosotros. A quem interessar possa, o palco do Mosteiro comemora. Em profundo silêncio, é claro.

Bruno Brum Paiva

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mimosas na Floresta


Domingo as vaquinhas se despediram coletivamente de Porto Alegre. Estavam todas juntas no Bourbon, inclusive a do Inter dando uma bela cabeçada na sofrenilda gremista. Foi uma experiência muito louca para a cidade - atos incompreensivos mesclados com muito carinho às vaquinhas. E lá se foram, elas e Paul, que tocou dentro do Beira-Rio para uma vaca de chuteiras ouvi-lo do lado de fora do estádio. Nós estávamos lá, mas na beira do rio. E também do lado de fora.

Bruno Brum Paiva

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Grito Rouco

Naquela noite tudo parecia estranho, nenhum caminho levava ao sossego. A lua cheia, surgida no crepúsculo, de repente viu-se tragada pelas nuvens da chuva. Chuva é sinônimo de sapos, e o coaxar alegre dos anfíbios povoa musicalmente as trevas no Vale dos Monges, onde estamos. Raquel odeia sapos.
A noite avança rumo a segunda-feira. Todos foram embora, todos os que se propuseram a passar o feriadão de páscoa naquela casa. E nós, ficamos. Por que a coragem, por que a insistência de mais um dia? Aquela noite pôs em xeque o silêncio das anteriores.
A terceira roda do mate inicia o giro quando Raquel dá um pulo da cadeira. A aranha armadeira fez escala em seu ombro antes de pousar no chão, sisuda, encarando-nos com seus ferrões a postos. Gelamos. Os princípios ecologistas foram abafados pelo instinto de sobrevivência, e Protásio primeiro a trucidou para depois perguntar se concordávamos com a subtração do aracnídeo. Não imaginávamos, então, aquela exceção à vida sendo estendida outras cinco vezes, somatizando um terror descomunal nos momentos seguintes. Em seguida, Protásio abre a janela e só não tem seu rosto como alvo certeiro porque a rapidez age em forma de precaução. O animal morre pelejando contra a vassoura que o esmaga, da mesma forma outras duas, que cruzam do quarto para a sala. Vou ao banheiro, acendo a luz e no espelho está outra, mirando-me no reflexo. Quebrar o vidro? Minutos depois, a vassoura assassina disseca seu movimento perpendicular à parede, dando cabo a mais uma guerreira dessa noite sem fim.
A chuva passa e o mate é retomado, temperado pelas mais escabrosas estórias. Hora de dormir, camas no chão, tudo é movimento. Como nas outras noites, Protásio dorme no sótão. O sono vem, meio sestroso, tomando embalo na tensa madrugada. Seu rompimento é brusco, acionando os sentidos de alerta após o berro estremecedor de Protásio. O alvorecer é marcado pelo grito de exorção, fuga, pavor, liberdade ou quem sabe uma sonora saudação junto aos pássaros do outono. Até hoje nunca soubemos.

Bruno Brum Paiva

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Projeto Mabel - Belém

Pequena tempestade no retorno a Belém


Projeto Mabel - Belém

Casa Alemã, Ilha de Marajó - Chimarrão matinal