quarta-feira, 6 de junho de 2012
Inclinada alma
Quando a alma inclina
veste-se de nudez
o sentimento
parece que a lua,
à sombra do Sol,
traça uma incógnita.
talvez seja a natureza
desatando em valsas,
desabrochando em lágrimas.
Bruno Brum Paiva
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Aniversariar andando
Aniversariando.
Entre escritas e esperas
hoje o blog completa quatro anos de ação..
Republicaremos algumas tiras até dia 20.
Para Julho, Projeto EPA.
Navegar ações
Navegações.
Bruno Brum Paiva
sábado, 12 de maio de 2012
Porto Alegre Transmutada
VII Bienal do Mercosul - Armazém A7
Há quem diga
que a Porto Alegre de hoje não é mais a mesma. Desconheço a que tempo pertenceu
essa cidade que a cada dia apresenta uma surpresa, uma possibilidade, um ângulo
a descortinar no grande palco por entre morros e o esplendoroso Guaíba rio que
não se reconhece lago.
Desde os
primeiros dias senti a cidade como um organismo vivo que nos envolve, abraça e
impulsiona. Os eventos de todos os matizes, desde o carnaval espontâneo da
Cidade Baixa ao desfile galante no Sambódromo, o acampamento Farroupilha, a
Feira do Livro, a Bienal do MERCOSUL, o multicolorido interdisciplinar Fórum
Social Mundial e tantas outras composições que bem dimensionam a equalização
dessa cidade que ora é cosmopolita, ora é província. A mesma cidade que sediará
jogos da próxima Copa do Mundo ainda permite tomar chimarrão nas calçadas em
longas conversas com vizinhos. Recebemos remanescentes Beatles e, no entanto,
ainda somos chamados pelo nome nas bancas do mercado público. Se pilas na hora
não temos, não é incomum levarmos o produto e acertarmos o valor na próxima
compra, pois quem compra no mercado público volta sempre para tomar aquele
caldo enquanto pensa que guloseimas para
casa levar.
Na Rua da
Praia encontramos amigos, artistas, sujeitos de todo verbo que da cidade são
construtores, pois o que seria de todos nós sem os tipos humanos que lapidam a
alma dessa metrópole com cara de casa da gente e que se chama Porto Alegre? Ela
não é a mesma porque é cada vez melhor.
Bruno Brum Paiva
sábado, 5 de maio de 2012
Guaíba, teimoso rio que banha muitas terras
Navegar pelo Guaíba
sempre foi meu deleite. Cada vez que subo num barco para singrar por entre as
ilhas do delta descubro mais recantos dessa metrópole amada. Visualizar o
cenário da cidade que se afasta até avistá-la da outra margem, silenciosa, como
se o mar de pedras falasse o que sentimos.
Guaíba, teimoso rio
que não se batizou lago, banha Porto
Alegre e Viamão por aqui; lambe as areias de Eldorado do Sul, sua homônima
Guaíba e Barra do Ribeiro do lado de lá. Rio que abraça enseadas, morros,
praias e chácaras, rio que oferece grandes navegações e tangencia uma
misteriosa ilha, que perpendicula uma hermosa
ponte e que é palco, seja no Gasômetro, Assunção, Ipanema ou Praia do Cachimbo,
do crepúsculo mais alaranjado e majestoso do sul do planeta.
O mais novo
transporte fluvial denominado catamarã possibilita-nos uma viagem muito rápida
ao primário destino, mas essa mesma rapidez nos reconduz ao mercado público e
sua fartura, ao muro lapidado em cores por Danúbio Gonçalves, aos simpáticos
cães do cais, às elegantes garças da doca, às caçadoras gaivotas que planam as
águas desse rio que banha muitas terras e sempre alegra o nosso porto.
Bruno Brum Paiva
domingo, 15 de abril de 2012
Pau-Brasil Rejeitado
As sementes nascem ao acaso; as árvores, nem sempre crescem para o lado desejado.
Semente é explosão, galhos são conquistas.
Certa feita trouxemos de muito longe um colar serpenteado por sementes de uma até então desconhecida planta. Aquele mar vermelho de minúsculas brotáceas parecia não ter um destino muito distinto ao que lhe fora outorgado por um artesão praieiro do Brasil Nordeste.
A curiosidade, tempero mater do passo avante, levou-nos ao interrogatório acerca daquelas lindas sementes quando as vimos pela segunda vez. O que é, como se planta? E plantamos.
Nasceu um pau-brasil. Cresceu e cresceu e agora já é um arbusto, exagero chamá-lo precocemente de árvore. Pesquisamos, buscamos, comprovamos: é pau-brasil. No Mosteiro reside um pau-brasil.
Inocentemente comovidos com a façanha saímos em busca de um novo endereço para o pomposo hóspede, visto que ter uma árvore num apartamento não é nosso desejo. Já temos bonsais, fazer de um pau-brasil um bonsai é quase humilhá-la à condição de nanica a árvore símbolo de nossa pátria mãe gentil.
Primeira tentativa, Jardim Botânico. Explicações repassadas a infinitos ramais, acessórios e assessorias nos retornaram com a objetiva decisão de que só há espaço para plantas nativas. Buenas, será que nosso pau-brasil é japonês, suíço ou quem sabe cigano?! Pensei que pensassem que seria um trote, por isso.
Segunda tentativa, SMAM. Endossando o argumento da primeira, ainda sou inquirido se nosso pau-brasil é verdadeiro ou falso. Respondi que era verdadeiramente de plástico, original como todos os silicones e botoques que embelezam nossas beldades da eterna juventude. Será que se eu cortasse por conta própria um galho espinhento que está invadindo minha janela essas sagradas entidades não viriam de unhas e dentes em defesa da legitimidade dos espinhos?
O pau-brasil rejeitado continua crescendo e esperando apenas uma livre terra para expandir sua sombra e deleitar quem de uma árvore se deleita. Jardim Botânico e SMAM, do alto de suas sabedorias burocráticas, não o quiseram. Talvez porque as folhas caiam para que outras renasçam.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Consumação
Veinte años consumados
Empezó despacio despacito
hasta hoy, así, sin apuros
Tú i yo, nosotros
En la cuna
Mosteiro
Por los días
Por las noches
por los tiempos.
Bruno Brum Paiva
domingo, 25 de março de 2012
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