sábado, 5 de maio de 2012

Guaíba, teimoso rio que banha muitas terras


                  


   
     Navegar pelo Guaíba sempre foi meu deleite. Cada vez que subo num barco para singrar por entre as ilhas do delta descubro mais recantos dessa metrópole amada. Visualizar o cenário da cidade que se afasta até avistá-la da outra margem, silenciosa, como se o mar de pedras falasse o que sentimos.

   Guaíba, teimoso rio que não se batizou  lago, banha Porto Alegre e Viamão por aqui; lambe as areias de Eldorado do Sul, sua homônima Guaíba e Barra do Ribeiro do lado de lá. Rio que abraça enseadas, morros, praias e chácaras, rio que oferece grandes navegações e tangencia uma misteriosa ilha, que perpendicula uma hermosa ponte e que é palco, seja no Gasômetro, Assunção, Ipanema ou Praia do Cachimbo, do crepúsculo mais alaranjado e majestoso do sul do planeta.

      O mais novo transporte fluvial denominado catamarã possibilita-nos uma viagem muito rápida ao primário destino, mas essa mesma rapidez nos reconduz ao mercado público e sua fartura, ao muro lapidado em cores por Danúbio Gonçalves, aos simpáticos cães do cais, às elegantes garças da doca, às caçadoras gaivotas que planam as águas desse rio que banha muitas terras e sempre alegra o nosso porto.


                                        Bruno Brum Paiva

domingo, 15 de abril de 2012

Pau-Brasil Rejeitado





  As sementes nascem ao acaso; as árvores, nem sempre crescem para o lado desejado.

     Semente é explosão, galhos são conquistas.

   Certa feita trouxemos de muito longe um colar serpenteado por sementes de uma até então desconhecida planta. Aquele mar vermelho de minúsculas brotáceas parecia não ter um destino  muito distinto ao que lhe fora outorgado por um artesão praieiro do Brasil Nordeste.

    A curiosidade, tempero mater do passo avante, levou-nos ao interrogatório acerca daquelas lindas sementes quando as vimos pela segunda vez. O que é, como se planta? E plantamos.

    Nasceu um pau-brasil. Cresceu e cresceu e agora já é um arbusto, exagero chamá-lo precocemente de árvore. Pesquisamos, buscamos, comprovamos: é pau-brasil. No Mosteiro reside um pau-brasil.

    Inocentemente comovidos com a façanha saímos em busca de um novo endereço para o pomposo hóspede, visto que ter uma árvore num apartamento não é  nosso desejo. Já temos bonsais, fazer de um pau-brasil um bonsai é quase humilhá-la à condição de nanica a árvore símbolo de nossa pátria mãe gentil.

    Primeira tentativa, Jardim Botânico. Explicações repassadas a infinitos ramais, acessórios e assessorias nos retornaram com a objetiva decisão de que só há espaço para plantas nativas. Buenas, será que nosso pau-brasil  é japonês, suíço ou quem sabe cigano?! Pensei que pensassem que seria um trote, por isso.

   Segunda tentativa, SMAM. Endossando o argumento da primeira, ainda sou inquirido se nosso pau-brasil é verdadeiro ou falso. Respondi que era verdadeiramente de plástico, original como todos os silicones e botoques que embelezam nossas beldades da eterna juventude. Será que se eu cortasse por conta própria um galho espinhento que está invadindo minha janela essas sagradas entidades não viriam de unhas e dentes em defesa da legitimidade dos espinhos?

    O pau-brasil rejeitado continua crescendo e esperando apenas uma livre terra para expandir sua sombra e deleitar quem de uma árvore se deleita. Jardim Botânico e SMAM, do alto de suas sabedorias burocráticas, não o quiseram. Talvez porque as folhas caiam para que outras renasçam.


            Bruno Brum Paiva

terça-feira, 3 de abril de 2012

Consumação



                                                    Praia de Itacimirim, BA


Veinte años consumados
Empezó despacio despacito
hasta hoy, así, sin apuros
Tú i yo, nosotros
En la cuna
Mosteiro
Por los días
Por las noches
por los tiempos.



          Bruno Brum Paiva



domingo, 25 de março de 2012

Dança das cabeças


  

A carga das formigas
acompanha
a dança do fogo.

O crepúsculo
abocanha
o sonho.


     Bruno Brum Paiva

terça-feira, 13 de março de 2012

Hospedeira Hospedagem




    Do despertar nada modesto no desjejum à saída do Mosteiro;
    Do trajeto de ônibus à caminhada até a efêmera morada;
    Do conhecido ao reconhecido, desbravando o desconhecido;
    Passeios vespertinos pelo bairro Moinhos de Vento;
    Crepúsculo;
    Nascer da lua cheia vista do 16º andar;
    Jantar simples, leve, divertido e descompromissado;
    Desejo de "boa sorte" à noiva que saía do hotel;
    Todos engomados e nós, de chinelos;
     Despertando às seis da manhã no 16º andar;
     Sol nascente;
     Banho de piscina solitos às oito no 22º andar;
     Aviões de todo tipo saindo/chegando do Salgado Filho;
     Barcos de todo tamanho singrando o Guaíba;
     Não vimos a ponte em suspensão;
     Café da manhã caudaloso;
     Arrumação;
     Lenta caminhada de retorno pela Padre Chagas;
     Mateada no Parcão;
     Muita conversa;
     T-9 até a Praça D. Feliciano;
     Ônibus TV até o Mosteiro;
      Muito sono, muita emoção;
      Muita risada;
      Soninho da tarde;
      E total agradecimento.

               Bruno Brum Paiva



domingo, 11 de março de 2012

Nascente Data, ed. 43














Santa Casa, Rio Grande, 10 de Março de 1969.
Moinhos,  Porto  Alegre, 10 de Março de 2012.
Gracias por todo!



                                    Bruno Brum Paiva



sábado, 10 de março de 2012

Espelho 2




É verdade o que vejo?
Sim, a dança
o vento
as pálpebras
aquele olhar felino,
fêmeo
espelhado  - ou não
este espelho não vibra em minha face
sou eu que caminho,
és tu que trilhas.
Já pode parecer muito,
o pouco,
mas ainda é muito o pouco
e a validade mede-se a cada passo.

Bruno Brum Paiva