sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Artemosfera Audiodescrita


                                      Chalé da Praça XV, 1920


Trabalhar com audiodescrição é simplesmente magnífico, pois é a inclusão humana no processo imagético até então restrito aos olhares comuns. Ver através dos outros sentidos é também sentir. Sinta também essa emoção e venha quarta-feira para a Praça XV.

               Bruno Brum Paiva


 


Audiodescrição torna exposição de fotos acessível a pessoas com deficiência visual no Centro de Porto Alegre

Ação será no dia 11 de janeiro, às 18h, no Largo Glênio Peres


A exposição de fotografias da artista Carmem Gamba, no Centro da Capital, estará acessível a pessoas cegas e com baixa visão. Um grupo de audiodescritores ligado à Mil Palavras Acessibilidade Cultural realizará sessão de audiodescrição (AD) ao vivo dos painéis de fotos instalados no gradil do Chalé da Praça XV, no Largo Glênio Peres. A ação ocorre no próximo dia 11 de janeiro (quarta-feira), às 18h.

Pessoas com deficiência visual poderão entrar em contato com as imagens e compreender a exposição – que faz parte da mostra Artemosfera. A AD consiste em um recurso que torna acessível, através da narração, qualquer evento, vídeo ou produto cultural em que as imagens sejam relevantes para o entendimento e a interação com o conteúdo.

Serão oferecidas vendas para que o público sem deficiência visual conheça a exposição sem enxergar. Letícia Schwartz, integrante do grupo e sócia da Mil Palavras, explica que o objetivo é justamente apresentar a audiodescrição ao público amplo que circula pelo Mercado Público e Centro da Capital.

A expectativa, afirma ela, é chamar atenção para o fato de que as pessoas com deficiência são consumidores de arte, cultura e entretenimento. A ação revela a importância da busca de soluções de acessibilidade em toda e qualquer atividade cultural, ressalta.

“Para as pessoas com deficiência visual, a ação possibilita o acesso a uma atividade cultural de imensa relevância. Para pessoas sem deficiência, é uma maneira diferente de entrar em contato com a arte”, comenta Letícia.

Dados preliminares do Censo 2010 revelam que mais de 45 milhões de brasileiros têm alguma deficiência sensorial, motora ou intelectual, quase um quarto da população do país. Desses, 35,8 milhões declaram-se com algum grau de deficiência visual. Mimi Aragón, idealizadora da ação, observa: “Essas pessoas pagam impostos como todo cidadão e precisam ter assegurada sua  inclusão cultural. A AD não é um favor, mas um direito”.

Nesse sentido, salienta Mimi, é importante que os próprios deficientes visuais conheçam o recurso para cobrar de produtores e do poder público sua inserção em todo bem cultural ou evento de qualquer natureza. “E as pessoas em geral precisam conhecê-lo para que, num futuro próximo, ele esteja amplamente incorporado ao cotidiano de todos”, afirma.

A artista Carmem Gamba comenta que o Largo Glênio Peres é frequentado por uma diversidade de tribos. “E nada melhor do que dar um espaço para o rosto dessas pessoas no ambiente que elas ocupam. A exposição Esse Lugar é a Minha Cara nasce dessa ideia de ligar a pessoa ao espaço possuído, onde um é espelho do outro”, explica.

Ela define  a iniciativa de audiodescrição de seus painéis como “maravilhosa” e “de uma sensibilidade incrível”. Sem esconder a satisfação em ter suas fotos acessíveis a um público mais amplo, Carmem afirma: “A exposição irá atingir pessoas até então não pensadas pelos fotógrafos. Minhas fotos estavam expostas somente para quem enxerga. E agora estão disponíveis também a quem não enxerga ou enxerga pouco”.

A fotógrafa pretende disponibilizar a AD em seus próximos trabalhos. “Quero no futuro criar também uma exposição que explore os relevos, as formas, as texturas e as sensações”, comenta.

O depoimento dos usuários da audiodescrição

O estudante de doutorado em Educação da UFRGS Felipe Leão Mianes, que tem baixa visão, define a audiodescrição como uma verdadeira “revolução no acesso à cultura”. Segundo ele, o recurso representa uma imensa possibilidade de inserção cultural. “É um importante instrumento na adquisição de conhecimento e na compreensão de determinadas coisas que antes eram muito difíceis”, afirma.

Ele observa ainda que a realização de uma sessão de AD no Centro de Porto Alegre, onde circula uma grande quantidade de pessoas, permitirá que indivíduos que provavelmente não teriam acesso a uma exposição possam entendê-la e participar da vida cultural da cidade.

A professora Marilena Assis, que é cega e atua em diferentes espaços, diz que o recurso significa, para ela, oportunidade de acesso aos meios culturais – o que até hoje foi limitado em sua vida.  “A audiodescrição me entusiasma, pois agora posso compreender e discutir filmes, teatro, arquitetura e exposições com mais apropriação e segurança”, relata.

Conforme ela, o acesso aos bens culturais via AD é um direito que está, aos poucos, se tornando realidade. “Voltei a ter prazer em ouvir filmes na companhia de pessoas que enxergam, já que agora não perturbo os outros com minhas perguntas”, garante.

O grupo de audiodescritores

O grupo que assume a tarefa de descrever as imagens captadas pela fotógrafa Carmem Gamba é constituído por audiodescritores e consultores - estes com deficiência visual - arregimentados por Letícia Schwartz a partir da primeira turma de especialistas formada pela audiodescritora paulistana Lívia Motta, em Porto Alegre, no ano passado.

Integram o coletivo profissionais provenientes de diversas áreas - atores, escritores, funcionários públicos, jornalistas, locutores, pesquisadores acadêmicos, publicitários e técnicos de áudio - que estudam a teoria, prática e produção da audiodescrição. Juntos, já produziram a primeira AD de um videoclipe brasileiro ("O Caminho Certo", da cantora e compositora Luiza Caspary) e a audiodescrição da mostra acessível a cegos e pessoas com baixa visão do Dia Internacional da Animação 2011, entre outros trabalhos.


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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Extraindo a fruta




















Coco bebê
Bebê coco
Tamanho de fruta
Para quem bebe pouco.
Minúscula pérola
Engana
Emana
Muita água de coco.

                    Bruno Brum Paiva

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fim de Festas

  

  Fim de Feira, fim de Bienal, fim de festas. Porto Alegre acordará mais triste nesta quarta-feira não de cinzas  e sim de ex-eventos. A Feira do Livro desse ano sentou-se sobre uma praça quase pronta, porém com ares novos de espaços mais amplos e desonerados de tanto entulho. Caminhamos mais livres, e mais livres ficamos para reencontrar amigos e folhear com mais vagar aqueles estimados e novos livros. A Praça da Alfândega voltou a ser da Feira.
   Entremeados à praça através do MARGS e Santander estava a 8ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, que também hoje se despediu da Capital. Com temáticas diversas e pertinentes, buscando fronteiras no que restou da globalização, a Bienal trouxe ao Cais do Porto e outros espaços muita discussão e beleza.
  As duas foram, as duas voltarão. E Porto Alegre renasce numa nova alfândega de um velho porto. Praça e cais, jacarandás e águas. Guapuruvus e Cisne Branco. Tudo é passeio, tudo é singrar.

                         Bruno Brum Paiva

sábado, 5 de novembro de 2011

Pessoas em pessoa

                             
                          Centro de Cultura, Ciência e Tecnologia - João Pessoa/PB
   
     
     Entrecruzares rios, estradas, aeroportos, estações, mares. Entrelaçar culturas, buscar pessoas. Essa viagem teve como eixo temático as pessoas - e por isso foi denominada Projeto Pessoas. A começar pela primeira parada, João Pessoa. No impulso aéreo até São Paulo sentamos ao lado de uma pessoa que hospedamos em nosso lar muito antes da existência do Mosteiro. No segundo trajeto, um animado grupo de pessoas que comumente viaja estava a nosso lado. E foi uma festa não muito diferente quando dias depois fomos lindeiros de mesa de um restaurante à beira-mar. Haveria um terceiro encontro caso não mudássemos repentinamente a rota, fato normal numa viagem constantemente reprogramável.  

     Cada passo tem sido um ode às pessoas. Crianças que repartem frutas, vendedores carismáticos que muito falam, um trem cheio cujo lento trafegar mais amizade provoca. Pessoas. Eis que viemos à busca, eis que surpreendidos estamos. Um grande momento foi sem dúvida  a tarde em Cabedelo, marco zero da construção da  Transamazônica. Além de conhecer o Forte Santa Catarina, uma bela construção de 1585 que tinha por finalidade defender a sede da Capitania da Paraíba, desmembrada de Itamaracá no ano anterior, pude ainda conversar com muitas pessoas e ainda retornar de trem até o centro histórico de João Pessoa, mais precisamente à margem do rio que deu origem à cidade que até a década de trinta do Século XX era também chamada Paraíba. Trem rústico, sacolejante, popular, rico de pessoas que nos retroalimentaram nesse grande processo convergente de culturas.

     Quanto Severino denominado Biu, quanta vida Bina denominada Severina. Estradas, atalhos, destinos e frangalhos. Calejadas mãos cortadas em cana, canaviais em fechadas matas, mares furiosos, pescadores desesperados, catadores de coco, vendedores de coco, rapaduras, tapiocas, arrumadinhos e caldinhos. Em tudo se vê a espalmada mão em sorrisos banguelas de sofrida e nem por isso triste vida. Pessoas que conversam sobre tudo que rodeia seu mundo, ensinam, trocam, doam, se doam. Raridade humana na contramão individualista que a nova ordem mundial instiga e carimba como passaporte da felicidade.

      O Projeto Pessoas foi cravejado de pessoas do começo ao fim. Pessoas que nos esperavam, que sorriam, socorriam e nos reencontrávamos em inusitadas situações. Chegamos em Recife e nos esperavam pessoas. Em Olinda, a palavra proferida a necessitados ouvidos nos fizeram mais pessoas. Encontros, acasos, prazeres e bem dizeres levaram e ao mesmo tempo costuraram o grande fio condutor racional que materializou a teimosa ideia de viajar com todos o sentidos voltados às pessoas.  Foi sem dúvida a mais humana e sentimental de todas as viagens, um projeto por e para as pessoas.


                                          Bruno Brum Paiva
                                       http://noslemosporai.blogspot.com

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A chave

 

Abre a porta

Tranca a roleta

Destrava o cadeado

Libera a cozinha

Encerra o condenado
Liberta o aquinhoado
        Abre a cancela
        Fecha a porteira
Giro horário
Sentido anti-horário
Senha eletrônica
Controle virtual

Domínio pessoal.

  

Bruno B. Paiva

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Nos Lemos na Casa de Cultura

Gostamos muito da experiência de trabalhar com esses maravilhosos grupos no último Jardinação.
E vamos celebrar o aniversário da Casa de Cultura, palco onde nasceu o Nos lemos, mesclando poesia.
Vamos?


                     Bruno Brum Paiva
                    http://noslemosporai.blogspot.com



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As Coisas

Se não usou até agora
Se não usou até agora
Se não usou até agora,

Por que guardou?

Vai usar amanhã
Vai usar amanhã
Vai usar amanhã?

Pô, joga fora.

Bruno Brum Paiva