segunda-feira, 1 de março de 2010

Guardião

Muito já foi falado que ao morrer um homem morre um livro. E quando morre um homem que zelou 40 mil livros durante sua quase centenária existência? José Mindlin, uma lenda em forma de pessoa a cobiçar o universo que universaliza o pensamento em divindade humana. A memória literária brasileira agradece o legado.
Bruno Brum Paiva

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Barreira




Lua nenhuma
penetra
na sala
oca.


Aniversaria
faceiro
nosso sagrado
Mosteiro.


Bruno Brum Paiva

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Vamos para o Norte?



A ideia não é original e tampouco nova. Muitos fizeram isso a pé, a cavalo, de bicicleta e em carros apropriados para o combate na Estrada do Inferno. Eu, que conhecera essa estrada por dentro e na pele, queria mesmo era fazer o caminho pelo meio mais confortável que o asfalto nos legara. De Porto Alegre a Capivari do Sul, passando antes por Viamão e posteriormente por Palmares, Mostardas, Tavares, Bojuru, São José do Norte, Rio Grande e o contorno por Pelotas começando por Laranjal, São Lourenço, Arambaré e outras encostas da Lagoa dos Patos até descer pela ponte do Guaíba onde o rio é projetado a partir do oriente.

O trecho entre Tavares e São José do Norte é de uma beleza única, e o vazio demográfico deixa afinado o silêncio pelo olhar. É um preparo para o mergulho no pampa. Chegamos no Norte abaixo d'água - aliás, quando se diz, em Tavares, vamos para o norte na verdade se vai é para o sul rumo a São José do Norte, que fica ao norte de Rio Grande, ou seja, se vai para o sul dizendo 'vamos ao Norte'.

Quando entramos no restaurante Caramujo, na Praia do Mar Grosso, chamou minha atenção uma pintura do velho Zemeco na parede. Mergulhei nas tintas e na infância. A obra deste artista nortense é monumental, descritiva, intuitiva, tem cheiro, tem vida, tem sabor. E ele continua vivo, andando pelas ruas do Norte em busca das cores varridas de seu olhar, olhar que botava em tinta o que a fotografia acima registra em flash. O passeio poderia terminar aqui, mas precisávamos voltar à cidade para encontrar a fila da balsa para Rio Grande. O Marujo viajou ao lado do rebocador e espremido entre dezenas de carros. Pernoitamos em Rio Grande. A chuva engrossou na madrugada e não rala ficou até nossa chegada em Porto Alegre na tarde da carnavalesca terça. Mas no meio do caminho teve São Lourenço, que é um capítulo à parte.

Bruno Brum Paiva


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Que Pena, Voou!







Hoje vai ter uma linda moda de viola no céu entoada por Pena Branca e seu irmão/parceiro Xavantinho, que lá o esperava há dez anos. Mais uma viola ao museu, cravada em nossa imagem. E por falar em imagem, hoje voltei ao MARGS para ruminar um pouco mais a trajetória de Maria Tomaselli. A mulher impressiona. A pena de Maria esboça; a viola de Pena Branca destroça. O que os olhos ganharam em imagem os ouvidos perderam no tato. Medida inexata das paixões pelo traço das artes.

Bruno Brum Paiva







quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Partida de Lorena


Visita inesperada no jardim
fez do trabalho a fuga
sensação de medo, um tremor
que é isso, filme de terror?
Lorena cavava firme
a pá que revolvia a terra
revoltou as abelhas
exalando as flores não o cheiro
senão o barulho
a tormenta
revoar certeiro daquele enxame
não reclame!
É primavera, explosão
alegria, procriação
e há mais flores
quanto mais abelhas.

Bruno Brum Paiva

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Chegada de Lorena


Lorena cavava firme. Aquela pá lembrava um ventilador nas tardes de primavera. A tormenta vinha qual uma manada em fuga. Sensação estranha a lhe descer às costas no tremor de uma decisão: que fazer com as abelhas do galpão? Aquela pá, aquela pá bem lembrava um ventilador.

Bruno Brum Paiva

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MARGS

Visitar o MARGS é sempre um bom motivo. Raríssimas vezes saí de lá insatisfeito. Mesmo as bienais, que desta vez, aliás, foi bem fraquinha, tiveram no MARGS seu ponto forte. O lugar sabe querer bem quem ama a arte e se vê através dela. E agora não poderia ser diferente. Maria Tomaselli parece que tomou conta, que preencheu todos os espaços, que deu luz, cor, vida, harmonia à ideia primária de Ado Malagoli. Até 14 de fevereiro do ano que se avizinha. Lá está, acessível a todos, gratuito a todos, aberto a todos, convidando a todos para mergulhar e compartilhar o universo dessa grande artista.
Feliz MARGS 2010!
Bruno Brum Paiva